19.6.18

As cores traduzem em tudo um pouco de mim. Das náuseas das asas absurdas, as letras que deito e rolo. Escondo nada do que posso e permito quase nada do dito, aqui escrito.

2.6.18

Quase

                                        trago a certeza de que o corpo
                                      precisa voar um pássaro e um canto
                                    um passo, uma queda
                                uma queda e um provável voo
                            há um pássaro e um canto
               assustado em passo e em queda
       esperada queda e o instante
          voo de um provável abismo
           há um pássaro de duras penas
                             várias asas várias
                     quedas voos outras quedas
               duras penas, vagões
            enormes e muitas asas
       há um pássaro e o redescobrir
      e em meio a tantas quedas
      um voo sempre por vir
            por que o medo das asas?
               por que o medo das aves
                 que estão em vocês?
                      por que o medo de voar
                       se é na palavra voo
                        que me encontro?

31.5.18

Joana - em construção.


Carrego os percalços ando sem rumo em um rio sem mar.
Um pássaro aparece morto e Joana o enterra. (Ela parece que está longe, longe.)
Falta ar, está  escuro, não vejo saída nesta terra podre.
Vira o relógio que a hora acerta e outro dia recomeça. Finda a noite, o pássaro voa, Joana deixa o cemitério e me permito acordar dessa loucura pensante. O sol que agora brilha fortalece o cheiro de ave molhada, gente morta e um pássaro posto na gaiola.  Nada Joana abaixo do precipício. Quase nunca fora permitido viver e voar. Começaram as férias quem sabe, Joana e eu enterraremos um pássaro morto, e eu a faça entender alguma coisa. 

26.5.18

Engasgo

trago gole cuspido de café sem tomada
amargo olhar engolindo desejo seco
amarroto sorriso  aliso rugas revistas
com alma enternecida trago um rumo
                  sem rio
saboreio não desfruto  abro portas
passo luz  deixo  abertas finas frestas
visto vergonha engomada de pouca fé
                no armário   
goma endurecida  vidro via cristal
toco troco comprado repasso dinheiro
                     gasto
apanho bagagem quebrada  seco fio a fio
desentender te a noite passar no trilho liso
esperar o fim da via.  Des co nhe cer-te!
                    ~~——//\O

20.5.18

O vento

o vento que frag menta
proporciona brisa.
O mesmo vento que traz
tempestade
proporciona brisa.
Nem a mesma brisa nem
o mesmo vento
Nada terá o mesmo peso
Nada pode ser tal qual
Por mais que se queira
existir ao menos
uma barreira
um único empecilho
mesmo assim valerá
viver, sentir, cheirar,
amar, permanecer,
tentar, tessstar
Para ter a certeza
que viveu e não
obliterou;

16.5.18

Fotos narradas - app videoshow

Estamos narrando, através de fotos, algumas situações que chamaram nossa atenção na instituição, dentre as quais podemos mencionar tanto a quadra de esportes, que poderia ser coberta para melhor aproveitamento e conservação do espaço, quanto a presença de infiltrações, a falta de portas na maioria dos banheiros, entre outras coisas. Contudo, o que nos preocupa mesmo é a crescente onda de assaltos aos estudantes ao redor deste Instituto. Haja vista a violência urbana, e sua acentuação em detrimento da falta de iluminação e segurança pública, entre outros descasos resultantes de um sistema público decadente. Certamente, a falta de iluminação e de segurança ao redor da instituição contribuem para o aumento na frequência dos assaltos. Anteontem, após roubar o celular de um aluno, um assaltante ameaçou estudantes do Ifal através do aplicativo Whatsapp. Com o celular da vítima, o homem entrou no grupo da turma para avisar que estava aguardando os estudantes na saída, no mesmo lugar. Isso demonstra tanto a ousadia quanto a ciência do descaso do poder público em relação à segurança da população. A educação, que deveria ser a principal saída para melhores condições de vida, anda sendo ameaçada por falta de condições que permitam o mínimo de segurança no entorno das instituições de ensino, e essa ameaça parte também daquelas pessoas que  são vítimas do sistema, que deveria oferecer melhores condições de vida através da educação. Triste ironia.

Obs.: texto do vídeo app videoshow, fotos narradas.

Resenha crítica do filme “Escritores da liberdade”

Através da sensibilidade e conhecimento de uma professora ao utilizar métodos inovadores para o ensino, tanto na escrita quanto na leitura direcionada, a narrativa mostra o modo como ocorre a melhoria do aprendizado escolar, do convívio social e do entendimento entre as pessoas. A professora lida com uma turma de alunos que vivem em um contexto social violento e que enfrenta preconceitos diversos (racismo, intolerância religiosa, xenofobia etc). Com métodos de aprendizagem estimulantes e humanizadores, que operam tanto na escrita desses alunos, que contam seus problemas, quanto na abordagem da leitura, os alunos passam a conviver melhor uns com os outros, já que a aprendizagem amplia suas visões de mundo. De Richard LaGravanese, “Escritores da liberdade” (2007) mostra a luta entre gangues formadas por pessoas que possuem vários tipos de preconceitos e a consequente violência crescente em função desses desajustes. Além disso, a falta de autoconfiança por parte dos alunos leva-os a desacreditar na vida, e a perder a esperança. Por fim, todo esse processo é revertido e reconstruído na narrativa do filme através da leitura e da escrita, instrumentos importantes utilizados pela professora, para recuperar o gosto pela aprendizagem e o respeito naquela turma. Como ocorre com países em conflito, numa situação de guerra, o filme mostra que as divergências muitas vezes se passam em função da falta de diálogo e da falta de respeito às diferenças.